Pecuária e os gases de efeito estufa

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Como toda atividade antrópica, na produção de bovinos também ocorre a emissão de gases de efeito estufa (GEE). Os principais são: Metano (CH4), proveniente principalmente do processo de digestão da fibra pelos ruminantes (fermentação entérica) e das fezes; óxido nitroso (N2O), originado das excretas dos animais e a partir da aplicação de fertilizantes nitrogenados (N) nas pastagens; e o dióxido de carbono (CO2), que é resultado do uso de energia elétrica, manufatura de fertilizantes, suplementos e outros insumos na indústria, da queima de combustíveis fósseis, que também gera emissão de CH4 e N2O e da aplicação de calcário nas pastagens (Figura 01).

Figura 1: Fontes de emissão de gases de efeito estufa em sistema de produção de bovinos de corte.

A quantidade emitida de cada gás varia, principalmente em função da eficiência produtiva e quantidade de insumos utilizados na produção. No estudo de Cardoso et al. (2016), é possível entender o comportamento dessas emissões em diferentes sistemas de produção de bovinos de corte no Brasil Central (Tabela 1). Para possibilitar comparações, os GEE são convertidos para dióxido de carbono equivalente (CO2eq). O CO2eq iguala todos os GEE em uma mesma base, levando em consideração o potencial de cada gás em gerar aquecimento global, CH4 = 27,2; N2O =273 e CO2 = 1, em um mesmo horizonte de tempo, normalmente 100 anos (IPCC, 2021).

Tabela 1: Emissão de gases de efeito estufa em diferentes sistemas de produção de ciclo completo de bovinos de corte no Brasil Central.

 

Pastagem Degradada

Média Nacional

Intensificação – Pastagem

Intensificação – Confinamento

Metano

2502

2339

1454

1360

Óxido Nitroso

76

134

440

434

Dióxido de Carbono

2

50

254

279

Total

2581

2524

2148

2073

Valores expressos em kg de CO2eq; Pastagem degradada = 0,5 UA.ha-1; Produtividade = 2 @.ha-1 ; Taxa de desmama = 55%; Media Nacional = Taxa de lotação = 1,0 UA.ha-1; Produtividade = 5 @.ha-1; Taxa de desmama = 60%; Intensificação Pastagem = Taxa de lotação = 2,5 UA.ha-1; Produtividade = 13 @.ha-1; Taxa de desmama = 70%; Intensificação – Confinamento = Taxa de lotação = 2,75 UA.ha-1; Produtividade = 15 @.ha-1; Taxa de desmama = 70%.

          A emissão de CH4 foi menor conforme o sistema foi mais intensivo. A melhora na qualidade da dieta e a redução na idade de abate dos bovinos foram os principais fatores que contribuíram para esta redução. O N2O emitido foi mais elevado em sistemas mais intensivos, em função da maior excreção de nitrogênio pelos bovinos (Insumo para produção de N2O), devido a maior quantidade de proteína na dieta e do uso de fertilizantes N, que também contribui com a produção de N2O.  O CO2 emitido também foi maior, conforme se aumentou o nível de intensificação. A maior utilização de insumos e consumo de energia explica o aumento nas emissões deste gás.

          Os menores valores de emissões totais foram encontrados em sistema de produção mais intensificados. Embora as emissões de N2O e CO2, tenham aumentado com a intensificação, a mitigação do CH4 emitido, mais que compensou este incremento. Com estes resultados é possível entender de forma geral as emissões de GEE de diferentes níveis de intensificação da bovinocultura de corte no Brasil Central. Adicionalmente, estratégias de mitigação já estão disponíveis e podem ser adotadas para reduzir ainda mais as emissões de GEE provenientes da produção de bovinos de corte.

 

Referências:

Cardoso AS, Berndt A, Leytem A, Alves BJR, De Carvalho INO, Soares LHB, Urquiaga S, Boddey RM (2016) Impact of the intensification of beef production in Brazil on greenhouse gas emissions and land use. Agricultural Systems, v. 143, p. 86-96. 

IPCC, (2021): Climate Change 2021: The Physical Science Basis. Contribution of Working Group I to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge University Press, Cambridge, United Kingdom and New York, NY, USA.

Published on: February 1, 2024

Yuri Guimarães

Zootecnista, Mestre em Zootecnia


Yuri Santa Rosa Guimarães. Faz parte do time de Sucesso do Produtor na Agoro Carbon Alliance, no qual atua como pós-venda em projetos de créditos de carbono em áreas agrícolas. Possui experiência em sistemas de produção de bovinos de corte, inventário de gases de efeito estufa e avaliação de ciclo de vida voltados à atividade agropecuária. É mestre em Zootecnia, com foco em mudanças climáticas, bovinocultura de corte e sistemas de pastejo pela FCAV/UNESP, Zootecnista pela UFRB e Técnico em Agropecuária pela Fundação Bradesco.